EXCLUSÃO DIGITAL E SABERES EM MOVIMENTO
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS ANTIRRACISTAS EM UMA ESCOLA PÚBLICA PERIFÉRICA
DOI:
https://doi.org/10.51189/integrar/rema/4901Palavras-chave:
Desigualdade digital, educação antirracista, ensino fundamental, racismo estrutural, território periféricoResumo
O presente artigo investiga como a exclusão digital atravessa o cotidiano de uma turma de 4.º ano do Ensino Fundamental em escola pública municipal situada em território periférico do Estado do Rio de Janeiro. Essa questão expressa desigualdades raciais e sociais que determinam, antes da chegada à escola, o acesso a dispositivos digitais. Metodologia: Trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza empírica, com abordagem reflexiva. O material empírico foi produzido por meio de registros em caderno de campo e diário de bordo, combinados com observação participante da docente-pesquisadora, ao longo do primeiro semestre do ano letivo de 2026. Foram analisadas três atividades: assembleia de classe com escolha do símbolo da turma, construção de alfabetário temático e produção sobre sonhos e desejos. Resultados: Os episódios indicam que as crianças elaboram repertórios digitais a partir de fragmentos, trocas entre pares e observação, mesmo sem acesso direto a dispositivos. O celular foi eleito símbolo da turma; Inteligência Artificial, Notebook e Celular apareceram espontaneamente no alfabetário; celular, computador e não ter tiroteio na favela surgiram como desejos recorrentes. Conclusões: O que essa experiência mostrou não cabe numa conclusão limpa. As crianças sabem coisas que a escola não pergunta. Sabem sobre o território onde vivem, o que falta e o que circula nas redes antes de chegar às salas de aula. Ignorar esses saberes não é neutralidade pedagógica: é uma escolha, com consequências. A educação antirracista que se pretende séria precisa começar por escutar o que já existe antes de ensinar o que ainda falta.
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